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Os Impressionistas: Pierre-Auguste Reoir


Plano de Aula do Filme Pierre-Auguste Renoir | Documentário | | 1998 | 24 min | RJ


Arte O professor de Arte poderá então abordar alguns aspectos da Arte como: A profissionalização do artista - destacando a formação de Renoir e sua tendência natural à Arte. O documentário cita que seu pai era alfaiate, ou seja, ele vivia num ambiente voltado à forma e à estética. Estes fatores teriam contribuído para sua formação? Renoir frequentou uma escola de Arte. Da decoração em porcelanas passou a pintor de telas. De "artesão" contratado por uma manufatura, passou a trabalhar por conta própria, dependendo da venda de seus quadros para viver. Que mudanças podem ter ocorrido em sua carreira? O professor deverá destacar também a diferença entre o pintor amador e o pintor profissional, ou seja, aquele que tem a Arte como seu trabalho. Em nossa cultura este aspecto nem sempre é bem aceito por não ser compreendido, sendo o artista frequentemente visto como alguém que não consegue sobreviver com sua profissão, além de outros estereótipos que são construídos a partir de falsas interpretações. O papel da formação na vida de um artista também pode ser objeto de estudo. O historiador de Arte E.H. Gombrich disse que um artista que aprendeu sozinho, aprendeu com alguém muito ignorante. De fato, pouco se considera a formação de um artista, pois, em geral, são tratados como seres dotados de dons especiais que dispensariam qualquer aprimoramento estético e técnico. No entanto, desde a antiguidade existem instituições para a formação de artistas. Das oficinas às academias, e dessas às universidades de nossos dias, os artistas têm seu espaço de formação. Se a vocação é importante para a prática artística, ela sozinha não é suficiente para o desenvolvimento e a profissionalização do artista. Outro aspecto que deve merecer especial atenção é a arte como mercadoria. Para quem pintava Renoir? Quem comprava seus quadros? O mercado de arte é outro aspecto bastante interessante a ser destacado. Quem eram os compradores das obras de Renoir? A que classe social pertenciam? Cabe aqui um relato interessante: O quadro "As Meninas Cahen d'Anvers" (conhecido como "Rosa e Azul"), pintado por Renoir em 1881, foi encomendado pelo banqueiro Louis Raphael Cahen d'Anvers, pai das meninas que aparecem no quadro - Alice e Elisabeth Cahen d'Anvers. A família do banqueiro não gostou do resultado e o quadro ficou esquecido, escondido em um lugar qualquer obscuro da casa, só muitos anos depois redescoberto. A obra hoje pertence ao acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Este fato demonstra, assim como o documentário, que muitas vezes um artista, mesmo dependendo do gosto do comprador de suas obras, mantém seu estilo, então: o que leva um artista que depende do mercado a romper com os cânones estéticos a que o mercado está habituado? Existem, contudo, artistas que sucumbem às imposições do mercado. Nem sempre são os que deixam suas marcas na História da Arte. A ruptura à tradição também poderá ser tema de discussão, afinal o Impressionismo representou uma grande transgressão ao romper com a técnica, com a composição e com a temática da época. Ainda um outro tema a ser trabalhado: o papel do crítico de Arte. A crítica de Arte é tão antiga quanto a própria Arte. Na Grécia, por volta do séc. III a.C., surgiram os primeiros estudos sobre Estética e Arte, já com o objetivo de orientar e educar artistas e público. Procuravam explicar a função e estabelecer regras da boa Arte. A crítica especializada se difere da crítica do público leigo, pois pauta-se em critérios mais objetivos ao fazer julgamentos. O crítico de Arte é, como o artista, um profissional que vive da Arte. O professor também poderá apresentar alguns textos de crítica de Arte publicados em jornais e revistas (em anexo). Música Ao assistirmos o vídeo, percebemos que musicalmente a trilha poderia ser outra, ou melhor, um repertório mais condizente com a época poderia ser utilizado, por exemplo, as peças de Debussy. A trilha usada tem um sabor popular, com a marcação da sanfona, instrumento típico da cultura popular francesa. Esta sugestão, no fundo, tem como objetivo aproximar também o aluno de um repertório musical diverso, mais próximo ao universo impressionista. Assim sendo, o professor de Música, ou de Artes, poderá trabalhar este universo pouco conhecido pelo aluno, enriquecendo, ampliando historicamente seu repertório musical. A questão coloca-se assim: vamos aproveitar este repertório para usá-lo como trilha? Em primeiro lugar, é importante apresentar este repertório para os alunos, fazê-los escutarem e familiarizarem -se com este tipo de música. Sugiro começarmos com os Prelúdios de Debussy. São vinte e quatro prelúdios, geralmente dispostos em dois livros. Este trabalho pode ser iniciado após a apresentação do vídeo. O professor poderá introduzir as músicas, fazendo a relação com a época de Renoir. Neste primeiro momento, a escuta estará mais voltada para o caráter em geral, ou seja, o que se gosta ou não, o que os atinge mais sensorial e afetivamente. Pouco a pouco, o professor pode obter considerações mais musicais: tessituras do piano (regiões do piano: aguda, média, grave) andamentos (lento ou rápido) intensidades (fraco ou forte). Outro aspecto importante é o do tempo. Como o aluno sente este tempo, que não é claramente marcado por uma pulsação determinada e contínua. Qualquer aluno, mesmo não tendo uma iniciação musical consistente, poderá perceber estas características, se auxiliado pelo professor. As músicas podem ser ouvidas muitas vezes, assim sendo mais bem assimiladas. Um exercício que pode ser apreciado pelos alunos é pensar, segundo as diferentes músicas escutadas, quais poderiam ser colocadas como trilha, e em que momento, vinculadas a assuntos e situações diferentes. Este jogo de inter-relações sensoriais, tema-imagem-música, proporciona uma amplitude maior de associações para o aluno, além de prepará-lo também para o futuro trabalho interdisciplinar deste projeto. É importante, no entanto, um lembrete ao professor. Por mais que Debussy quase sempre esteja associado à pintura impressionista, uma analogia com os sonhos ou com ideias mais espontâneas revela-nos mais sua música. Seus temas escolhidos podem ser os mesmos que atrairiam os pintores impressionistas, porém, segundo Paul Griffiths, a música se difere essencialmente da pintura no que diz respeito à questão do tempo: ela é uma linguagem temporal, e o movimento tem para Debussy uma grande importância. Como o próprio Debussy diria: "a música apresenta uma liberdade que nenhuma outra arte tem, não estando vinculada à reprodução mais ou menos exata da natureza, mas às correspondências misteriosas entre a Natureza e a Imaginação." (p. 16). "O estímulo não é o fenômeno natural original, a impressão, mas o fenômeno mental secundário, a lembrança." (p. 17). História Discutimos a possibilidade de iniciar este trabalho apresentando uma questão para os alunos (encaminhada pelo professor de Artes): você compraria um quadro de Renoir? O que levaria alguém - daquele tempo ou de hoje - a comprá-lo? Em verdade a indagação poderia ser outra: o que leva um artista a romper com um padrão que já está consagrado, para produzir algo que pode ou não ser vendido? Que tal recorrermos à velha História? Voltemos à Europa de meados do século XIX. Ao lado de outras potências, como Inglaterra, Holanda e Bélgica, os franceses assistiam ao início de um verdadeiro espetáculo trazido pela Segunda Revolução Industrial. As inovações tecnológicas quebram paradigmas e colocam o Homem diante da expansão das máquinas, da velocidade, da eletricidade, dos automóveis. O capitalismo financeiro criava novas noções de tempo e espaço, gerava a expansão neocolonial e lançava parte da humanidade em uma era de euforia e otimismo que só seria barrada pela destruição trazida pela Primeira Guerra Mundial. A França - inserida neste cenário - passava ao mesmo tempo por uma transformação política radical. Em meio século foi varrida pela "Primavera dos Povos" (1848), que recolocou no palco as camadas populares. Proclamou a Terceira República e viu emergir o fantasma dos Bonaparte. Pôde, então, retomar a ambição de conquistar um grande império, avançando sobre a Ásia e a África com Napoleão III. Amargou a derrota na Guerra Franco-prussiana de 1870/1871 (na qual Renoir alistou-se), e viu de seus escombros ser proclamada a Terceira República, ao mesmo tempo em que a Comuna de Paris (de março a maio de 1871) incendiava o imaginário da esquerda no final do século XIX e XX. Em 1914, enquanto Renoir - rompido com os impressionistas desde 1885 - identificava-se com o academicismo, como no início de seu aprendizado, a França caminhava com a Tríplice Entente para a Grande Guerra. Podemos dizer que estes tempos não poderiam ter gerado outra coisa, senão uma nova forma de ver (ou várias formas de ver) o mundo e de representá-lo. O Impressionismo foi uma destas novas leituras, é nele que encontramos Renoir em uma grande parte de sua trajetória. Renoir, que cresceu em uma família de trabalhadores e desde os três anos viveu em Paris, vai ter sua sensibilidade aguçada pelo pai, estudando a partir dos clássicos. No turbilhão de mudanças que marcam a sua época, alinha-se nas fileiras do Impressionismo. Rejeitado como outros no Salon (a grande exposição em Paris, vitrine para todos os artistas), participa da mostra inaugural em 1874, ironicamente realizada no espaço de um fotógrafo (Renoir romperia em 1885 com o movimento e voltaria a identificar-se com o Classicismo). Observamos que o documentário concentra-se nesta história singular que é a sua biografia. No trabalho interdisciplinar a História poderia buscar os outros planos: o geral (identificado na Europa da Segunda Revolução) e o particular (como a França do Segundo Império e da Terceira República). Assim, podemos levantar outras questões: como foi possível para os impressionistas abandonarem as almas atormentadas do realismo, o drama obscuro dos românticos, o épico, o grandioso, para celebrar a simplicidade, o cotidiano, o trivial? Como conseguiram descobrir as novas cores, filtros, transparências, luz? Por que Renoir assume uma posição panfletária a favor da vida, do prazer? Qual o diálogo que estabelecerá com o otimismo da Belle Époque (aquele que será rompido em 1914 e precocemente apreendido pelos expressionistas e traduzido pelos pós-modernos). Já que assumimos que Renoir está dialogando com o seu tempo, sugerimos que o aluno construa o painel histórico da França de Renoir a partir de uma pesquisa com fotografias do século XIX. A escolha não é casual. Sabemos que o Impressionismo cria uma experiência diferenciada justamente quando se liberta da obrigação de "copiar o real". Em 1839 Paris anunciava ao mundo a invenção da fotografia, máquina eficiente de captura do instante, da realidade. A Arte estava livre... Esta atmosfera é partilhada entre Renoir e outros artistas impressionistas. Levantar as fotos do século XIX de sua Paris pode ser um diálogo interessante entre Arte e História e entre Arte e Máquina. Vejamos estes exemplos, facilmente pesquisados em sites que reúnem acervos fotográficos, de fácil acesso para alunos e professores (estamos sugerindo alguns deles na indicação bibliográfica): Por último, vale a pena indagar: se a Arte não é um espelho da realidade (na verdade, nem a fotografia é), o que é? O quanto Renoir nos ajudaria a encontrar uma definição? Walter Benjamin afirma que a Arte sempre nos aponta as possibilidades, os sonhos, os desejos, enquanto a História registra o fato, ou seja, a alternativa que venceu, que se impôs. Então olhar o passado através da Arte, através do olhar do artista, é também resgatar aqueles que foram vencidos e que de outra forma nunca teriam voz.




Objetivos
PRINCIPAIS CONCEITOS QUE SERÃO TRABALHADOS EM CADA DISCIPLINA ARTES VISUAIS Tradição e ruptura na arte Artista como profissional Mercado de arte Crítica de arte Gênero pictórico Tema. MÚSICA Estilo Caráter musical Parâmetros sonoros e musicais. HISTÓRIA Arte como documento e sua especificidade Diálogo arte-realidade histórica Modernidade e transição.

Situação Didática
RESUMO DA ATIVIDADE a) O trabalho é aberto com a apresentação da obra "O almoço dos remadores" acompanhada por algumas questões. b) Segue-se a apresentação do vídeo. c) No retorno, o professor de Arte retoma as questões para colocar alguns conceitos: Arte- mercadoria, artista-profissão, crítico de Arte. d) O professor de Música direciona para a trilha sonora do documentário e apresenta Debussy. e) O professor de História contextualiza o artista e sua obra e discute a necessidade de um novo olhar sobre a Arte-documento. f) Os professores apresentam a proposta de trabalho interdisciplinar, coordenam a divisão dos grupos e acompanham o andamento dos roteiros. Sugerimos que a orientação mais apurada seja feita por um professor em particular, responsável por aquele grupo. Neste caso, os professores envolvidos poderiam dividir esta tarefa cotidiana. g) Por último, os alunos apresentam o trabalho para a classe, socializando esta produção. Podemos pensar, inclusive, na publicação dos trabalhos em meios eletrônicos, uma vez que esta é uma ferramenta de comunicação que os alunos dominam e utilizam frequentemente. h) Avaliação do trabalho.

Comentários
SUGESTÕES DE LEITURA  ARTIGAS, Isabel. Renoir. Coleção Gênios da Arte. São Paulo: Editora Girassol, 2007.  BARRAUD, Henri. Para compreender as músicas de hoje. São Paulo: Perspectiva. 1997.  BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas: Arte, Magia e Política. São Paulo: Brasiliense, 2004.  COSTA, Cristina. Questões de Arte. São Paulo: Moderna, 2004.  FERREIRA, Glória (org). Crítica de Arte no Brasil Temáticas Contemporâneas. Coleção Pensamento Crítico. Rio de Janeiro: Funarte, 2006.  GRIFFITH, Paul.  HOBSBAWM, Eric. Era dos Impérios. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2009.  ROSS, Alex. O resto é ruído. São Paulo: Cia das Letras, 2009. - Sites de pesquisa de imagens (fotografias, gravuras, pinturas, vídeos): http://www.conexaoparis.com.br http://www.scielo.br http://www.hallrichard.com http://www.fotosearch.com http://www.photographersdirect.com http://stockindexonline.com http://www.scalarchives.com http://incentraleurope.radio.cz htpp://youtube.com.br

Pedagogo Autor do Plano de Aula
Daniela Nigri